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Como e por que buscar o equilíbrio?


Como e por que buscar o equilíbrio?
Sheila de Marchi Sheila de Marchi
7 september 2026
Queremos ser bons profissionais e, ao mesmo tempo, estar presentes para a família em todos os momentos, sejam eles pequenos ou grandes. Queremos nos dedicar a um esporte, correr um triatlo, por exemplo, mas também aproveitar a vida social sem restrições. A verdade é que dificilmente conseguimos nos dedicar profundamente a algo sem abrir mão, ao menos temporariamente, de outras coisas.

Talvez o equilíbrio não seja exatamente um meio-termo permanente. Talvez ele esteja mais relacionado à capacidade de perceber o que precisa da nossa atenção em cada momento da vida.

Há períodos em que o trabalho exige mais energia. Em outros, a família, a saúde emocional, os estudos ou um projeto pessoal ocupam o centro das nossas prioridades. Depois, o foco muda novamente. A vida é dinâmica, e nossas necessidades também.

O que muitas vezes torna esse processo difícil é o sentimento de culpa. Culpa por não estar presente o suficiente em uma área enquanto nos dedicamos mais intensamente a outra. Mas essa culpa costuma nascer da expectativa de que deveríamos dar conta de tudo ao mesmo tempo, sem abrir mão de nada. Será que isso é realmente possível? E, se fosse, qual seria o preço?

É importante lembrar que momentos de maior dedicação a uma área da vida não significam abandono das demais. Elas continuam precisando de cuidado e manutenção, ainda que não recebam a maior parte da nossa atenção naquele período.

“Viver com equilíbrio não significa dar a mesma quantidade de atenção a tudo.”

Se o trabalho está exigindo mais de você neste momento, por dias, meses ou até anos, talvez nem sempre seja possível preparar o jantar ou tomar café da manhã com os filhos. Isso não significa que eles foram deixados de lado. Da mesma forma, se você decidiu priorizar a convivência familiar, é possível que a carreira avance em um ritmo mais lento por algum tempo, sem que isso represente desistência.

O mesmo acontece quando alguém decide mudar de país, iniciar uma nova formação ou enfrentar uma fase de grandes transformações. Naturalmente, mais energia será direcionada para esse objetivo, enquanto outras áreas seguirão presentes, ainda que em menor intensidade.

A vida está em constante movimento. Gosto da imagem do pêndulo e da gangorra. Quando permanecem exatamente no centro, estão parados. Para que haja movimento, é necessário que, em determinados momentos, estejam mais para um lado e, em outros, para o outro.

Talvez o verdadeiro equilíbrio não esteja em manter tudo igualmente distribuído o tempo todo, mas em desenvolver consciência sobre para onde nossa energia está sendo direcionada e avaliar, de tempos em tempos, se esse movimento ainda faz sentido.

Afinal, viver com equilíbrio não significa dar a mesma quantidade de atenção a tudo. Significa fazer escolhas conscientes, aceitar renúncias temporárias e compreender que cada fase da vida pede algo diferente de nós.

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